Dois mil e vinte foi um ano recheado de adversidades. Um ano ímpar para o Brasil. Um ano composto por uma crise política, uma crise econômica e uma crise sanitária de grandes proporções.
Com a virada do ano e a expectativa de uma solução para a pandemia nos enchemos de esperança mesmo com dois mil e vinte um mostrando, a passos largos, que os erros podem se repetir.
Nessa conjuntura caótica e repleta de problemas, nem todas as notícias são ruins e encontramos, ao longo desses anos, ações positivas nos mais variados níveis da sociedade e no empresariado de forma geral.
As redes humanitárias e a vontade de ajudar o próximo se fortaleceram e fomentaram um sentimento poucas vezes visto no Brasil e que por fim conseguiu ratificar de vez o trabalho voluntário.
Arriscamos a afirmar que o voluntariado entrou, de forma definitiva, na agenda dos executivos e das empresas. Arriscamos a afirmar que o pensamento empresarial de buscar a lucratividade a qualquer custo foi reduzido e certamente será substituído, em definitivo, nos próximos períodos.
As empresas nunca contribuíram tanto com a sociedade. Empresas de vários setores, algumas concorrentes, se uniram em torno de causas específicas e ocuparam as lacunas deixadas pelo Estado, iniciando assim, uma jornada rumo a maturidade e a sustentabilidade empresarial.
De forma inédita questões abordadas recorrentemente nos conselhos e na alta administração das empresas como: Como o voluntariado pode contribuir com a empresa? foram progressivamente substituídas por: Como podemos atender melhor a comunidade local e a sociedade nesse momento?
Nesse novo normal, cercado pelas mais variadas adversidades, é onde um programa de voluntariado empresarial se ancora e, quando bem estabelecido, acaba sendo o catalizador de uma nova cultura, que se traduz em um comportamento virtuoso pelas diversas partes interessadas e impulsiona a empresa a ser protagonista de seu setor.
Contudo, um programa de voluntariado para ter êxito não exige apenas boas intensões e muita paixão de seus integrantes. Necessita de administração e apoio gerencial entre tantos outros fatores críticos de sucesso. A seguir relacionamos cinco ações práticas para se atingir o sucesso de um Programa de Voluntariado Empresarial. São eles:
1- Fomente o ownership (“sentimento de dono”). Ownership é o termo que interpretamos como “sentimento de dono”, ou seja, uma mentalidade singular de quem almeja, entre muitas coisas, ver o Programa de Voluntariado prosperar, assegurando a diversidade, a corresponsabilidade, a cocriação, o interesse coletivo e a eficácia das ações propostas no programa.
2- Estimule os voluntários a inovar. Frequentemente, quando um colaborador resolve aderir a um programa de voluntariado, é porque ele já se identificou com a causa e, portanto, cabe ao gestor proporcionar, inicialmente, a motivação e direcionamento. O gestor deve proporcionar também os meios para que o voluntário possa transferir ao programa toda a sua energia nos mais variados aspectos. E nesse sentido, estimular as competências individuais, incentivar à criatividade, à quebra de paradigmas, e o senso de coletividade fará, certamente, que se conquiste o famoso pensamento “fora da caixa” realimentando o programa e a empresa com inúmeros benefícios.
3- Foque na gestão de pessoas. A gestão de pessoas está entre os maiores desafios empresariais e, embora a captação, a retenção de talentos e as competências técnicas ainda seja a tônica do tema, ela vai muito além. Fique atento para promover um ambiente de trabalho energizante com elevado moral e empoderamento do voluntário e não esqueça da capacitação multidisciplinar. Voluntários capacitados tornam-se confiantes e produzem melhores resultados, mas se a empresa estiver sintonizada apenas na questão da captação e retenção, se preocupe em captar pessoas com um grande caráter. Competências técnicas e gerencias é mais fácil de adquirir com um bom treinamento.
4- Pratique o Reconhecimento. O reconhecimento é o combustível do voluntário. É o que faz o ser humano continuar a se dedicar à causa e melhorar constantemente. Adotar uma política de reconhecimento e valorização do voluntário não é algo supérfluo e deve ser idealizada estrategicamente pois cada voluntário entende o reconhecimento por um prisma diferente. Uma ação da empresa com o objetivo de promover o reconhecimento mal planejada pode ser o estopim para fragmentar o grupo e dar fim ao programa. Portanto, as formas escolhidas para o reconhecimento dos voluntários, devem ser baseadas em critérios claros e objetivos e quando forem estabelecidas premiações, a boa prática é que o prêmio seja algo simbólico e não envolva premiações estravagantes ou dinheiro.
5- Exerça uma gestão transparente. Clareza, coerência e credibilidade, esses são benefícios de uma gestão transparente e que potencializa o trabalho voluntário. Essa tríade faz com que o membro do programa de voluntariado tenha informação suficiente e de qualidade e possa acompanhar as ações que estão ocorrendo e o que está sendo construído a partir de seu esforço. A transparência é o pilar central de um programa de voluntariado e o aspecto que arremata os demais pontos abordados nesse artigo.
É claro que as ações acima não esgotam o tema e representam uma pequena parcela das ações que um bom programa de voluntariado requer, contudo, é o ponto de partida para importantes reflexões a respeito do tema.
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